Reflexão Della Morena (28/07/2020)

Viver com desprendimento

  • Publicado: Núcleo Digital - 29/07/2020

Conta-se que Diógenes destacou-se entre os sábios gregos e chegou a ser professor de Alexandre da Macedônia.

Um dia, começou a questionar os costumes do seu tempo e a necessidade dos bens materiais.

Resolveu adotar uma vida totalmente desprendida e ficou morando dentro de uma barrica, tendo para seu uso pessoal somente uma cuia com água.

Depois de algum tempo descobriu que nem mesmo da cuia ele precisava, pois, usando suas duas mãos, poderia pegar água para beber ou para limpar-se. Jogou a cuia fora.

Quando Alexandre invadiu a Grécia, fez questão de visitar aquele seu antigo professor.

Encontrou-o sob o sol, junto à barrica, entregue aos próprios pensamentos, e lhe disse: Você já deve saber que conquistei a Grécia e que todas estas terras agora fazem parte do meu império. Como você foi meu professor e sempre o admirei, quero recompensá-lo de alguma forma. Diga-me: O que você deseja?

Houve um momento de silêncio. Alexandre e todos os integrantes de sua escolta aguardavam com curiosidade a resposta do filósofo.

Posso pedir mesmo? - disse Diógenes.

Sim, peça.

O que desejo é que você saia da frente do sol, pois está impedindo que seus raios quentes toquem o meu corpo.

Alexandre não respondeu. Apenas saiu da frente do sol e, naquele pequeno gesto, tentou compreender a filosofia de vida do seu antigo mestre.

Olhou mais uma vez para Diógenes em sua barrica, olhou para seus soldados, tomou as rédeas do seu cavalo e seguiu seu caminho, rumo à conquista da Ásia.

* * *

Incontestavelmente, o desprendimento dos bens terrenos é uma necessidade lógica.

É verdade que ninguém precisa desprezar os bens que conquistou com o próprio esforço, pois esses constituem legítima propriedade.

No entanto, é preciso treinar o desprendimento desses bens que um dia ficarão sob o pó da terra.

Além disso, há grande diferença entre possuir bens materiais e se deixar possuir por eles.

Conforme afirmou um grande pensador: O tesouro do sábio é a sua mente, e o do tolo, são seus bens.


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